ago 16 2012

Entrevista para a Revista Tema

Category: divulgação,entrevistas,Sem categoriaAndrews F.G @ 18:26

Visualização da revista online: http://tema.serpro.gov.br/pub/serpro/index.jsp?ipg=1160

Download (pdf):  http://tema.serpro.gov.br/temp_site/edicao-38.pdf

Agradecimentos a Regina Faria da Revista Tema, que realizou a entrevista comigo. Obrigado pela gentileza.

Texto:

Cenas do projeto Rain Down, o multicam do Radiohead 44 JUL/AGO 2012 show da banda Radiohead foi tão bom que, ao chegar em casa, a vontade era de continuar curtindo o som, relata Andrews Ferreira Guedis, lembrando­ se do evento de 2009, em São Paulo.

Comecei a caçar vídeos que as pessoas tivessem gravado e postado na internet. Fiz a junção de alguns trechos e coloquei no Youtube?, conta Andrews. No dia se­guinte, minha caixa de e-mail estava lotada, com muita gente pedindo o DVD completo?.

Meses de­ pois, o fã disponibilizaria na rede vídeos extensos não só do show paulista, mas também do carioca, com a compilação de mais de 700 arquivos grava­ dos por celulares e outros dispositivos móveis, enviados por cerca de 400 expectadores.

A crítica elogiou o trabalho, destacando a mul­tiplicidade de olhares em uma edição dinâmica, que valoriza a pulsação da música e o efeito da platéia contagiada?.

Andrews continuou a fazer o que os adeptos chamam de multicam, sempre de bandas que lhe agradam como Smashing Pumpkins ou Muse.

E respeitando a premissa sagrada de distri­buir o produto final gratuitamente, além de menci­onar o nome de todos os que enviaram material para cada música.

Quando edito, tento utilizar os arquivos do maior número possível de pessoas?, acrescenta Na­ lini Vasconcelos, que começou a fazer multicams com a mesma motivação de Andrews: ter mais material da banda preferida após o show.

Nalini co­meçou recrutando material dos amigos e hoje faz vários trabalhos colaborativos, entre os quais se destaca uma multicam do show do U2, que teve apoio para divulgação do site U2br, para o qual escreve.

Hoje em dia, em todo o país, tem sempre alguém editando um vídeo colaborativo desses?, constata Nalini. E a idéia também tem muitos adep­tos pelo mundo, em escalas variadas.

O recurso de contar com a diversidade dos olha­res da platéia para compor vídeos criativos acabou sendo incorporado por produtores, tanto de grandes estrelas da música quanto de artistas do merca­ do independente.

O site oficial de Michael Jackson exibe um vídeo para o qual colaboraram 1500 fãs, que aparecem dançando e cantando como o ídolo fazia, em uma homenagem póstuma ao cantor.

Com menos trabalho de edição, mas facilitando muito a interatividade instantânea, a banda australiana C­Mon & Kypski disponibiliza uma página com o passo a passo para que o internauta ligue sua webcam e envie seus frames, imitando os gestos dos integrantes da banda.

Feita dessa forma, a vídeo música More Is Less já tem quatro minutos de duração, algumas centenas de colaboradores e a perspectiva de crescer indefinidamente.

Talvez pela atual facilidade de coletar imagens, a multicolaboração em forma de vídeo é a que mais rapidamente se encontra na internet.

Mas a idéia de criar coletivamente parece ter sua gênese na música e no sonho de escrever um texto em grupo, idéias que estão vivas na rede desde o início dos anos 2000.

Em 2002, por exemplo, Tom Zé lançou o álbum Jogos de Armar, contendo um CD conven­cional e um segundo disco com trechos de instru­mentos e vozes abertos à utilização de quem se interessasse, com um literal ?convite a meter a mão?.

Já Hermeto Pascoal liberou em seu sítio as partituras de sua obra, acompanhadas de autoriza­ção de próprio punho para o uso de todas as músi­cas e um apelo para que ?aproveitem bastante?.Em outros endereços, como no colaborativo Overmixter, há espaço para compartilhamento de samples e remixes.

Porém, essas ferramentas ainda não são utilizadas em todo seu potencial, segundo Felipe Obrer, consultor de comunicação que estuda o mundo multicolaborativo.

Iniciativas como premiações e eventos são necessárias para animar a criação coletiva.

Há sempre o problema do tempo disponível dos criadores e a necessidade de alguma forma de
retorno, não necessariamente monetário, para que essas iniciativas continuem pulsantes?,
constata Felipe.

Artesãos Digitais Em termos de escrita, projetos de autoria coletiva continuam a surgir na internet, embora seja muito freqüente encontrar textos que não resultaram em publicações como originalmente se pensou.

Apesar dessa constante, há projetos como o Join2write, construído por portugueses, que prima pela organi­zação e está em plena atividade colaborativa: pro­ põe tema, estilo, tamanho e faz uma prévia seleção dos textos enviados pelo site da iniciativa para fazer parte de um livro colaborativo.

O grupo já conta com três de sete capítulos projetados e permanece aberto à participação de escritores interessados.

Iniciativas de arte colaborativa produzida pela rede, seja a edição de multicams ou de livros
escritos a várias mãos, encontram tradução em linguagem poética nos 25 tópicos que compõem o Manifesto dos Artesãos Digitais, publicado em 1997 por Ri­chard Barbrook e Pit Schultz.

Diz seu primeiro artigo: ?Somos os artesãos digitais.

Vamos homenagear o poder prometéico do nosso trabalho e da nossa imaginação moldando o mundo virtual.

Hackeando, codificando, fazendo design e mixando, nós cons­truiremos um mundo conectado por nosso próprio esforço e inventividade?.

Cenas do projeto Behind the Mask, dos fãs de Michael Jackson(1); e cenas do multicam do U2 360º (2)

ROTEIRO DE ARTE COLABORATIVA

De multicam de show de rock a reflexões sobre a autoria coletiva, confira alguns pontos de partida para conhecer mais sobre produções em grupo ?


out 31 2011

Direto de um TCC: “O Projeto Rain Down como um Fenômeno da Cibercultura”

Category: divulgação,entrevistas,matériaAndrews F.G @ 18:05

Realmente sempre me surpreendo ao buscar sobre o projeto Rain Down na web. Toda vez que procuro pelo termo no Google, encontro alguma coisa nova ou vários links que citam o projeto como inovador e pioneiro. É muito bom saber que quase após 3 anos do show do Radiohead no Brasil, nada foi tão marcante quanto aquela apresentação da banda e como os vídeos desse projeto o deixaram eternamente frescos na memória das pessoas que estiveram lá.

Mas um dos resultados me chamou muito atenção nesses dias, encontrei um trabalho de TCC para um curso de Comunicação Social – Jornalismo baseado em toda história de criação, produção e conceito do Projeto Rain Down. O trabalho foi realizado por Leonardo AraújoDannilo Duarte para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, de Vitória da Conquista, Bahia.

Localizei o documento no formato PDF e notando em seu texto, é citado que ele foi apresentado no XIII Congresso de Ciências da Comunicação, em Maceió/AL, em junho desse ano.

É emocionante saber que o Rain Down alcançou tanto prestigío, agradeço novamente pela dedicação e divulgação.

Alguns trechos interessantes do trabalho:

“Trata-se de uma espécie de “artesanato digital”, conforme o termo cunhado por Barbrook e Schultz (2007) em um manifesto divulgado na Web. São trabalhos que dialogam com os produtos da indústria cultural, ao mesmo tempo em que se revelam bastantes distintos da formalidade ou dos compromissos com uma produção anterior, na medida em que flertam com novas linguagens disseminadas em escala global. ”

“É preciso emitir em rede, entrar em conexão com outros, produzir sinergias, trocar pedaços de informação, circular, distribuir” (Lemos, 2009, p. 40).”

“Em Rain Down, pela primeira vez, nada foi combinado ou organizado anteriormente, nem passou pelo filtro “de qualidade” do artista. Não havia nenhum acordo das pessoas filmarem o show para um DVD. As imagens foram feitas de forma espontânea, capturando as diferentes percepções de quem estava na apresentação. A edição também foi totalmente realizada por um admirador da banda. ”

“Percebe-se que assim como o Rain Down surgiu de maneira não planejada, a produção feita pelas redes telemáticas é, muitas vezes, fruto de experimentação dos indivíduos que povoam o ciberespaço e que esse ciclo de mudanças continua em curso. Por ser uma experiência conduzida pela própria comunidade, é interessante acompanhar as mudanças e delineamentos da produção cultural nesses novos ambientes para que seja possível desfrutar de todas as suas potencialidades.

O documento pode ser baixado na íntegra por aqui (.pdf – 363 KB)

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set 21 2010

[Entrevista] Andrews F.G – Revista Eletrônica Souza Lima

Category: divulgação,entrevistas,matériaAndrews F.G @ 21:51

O rock nacional perdeu a identidade

Para Andrews FG, idealizador do projeto Rain Down e guitarrista da banda independente Refink, as grandes gravadoras apostam apenas na questão comercial

Por: Paula Witchert

O cenário do rock brasileiro já não é o mesmo. Longe de letras com conteúdo político e contestações ideológicas que normalmente marcam a juventude, o estilo traz no século 21 uma nova roupagem, mais preocupada com a questão visual. Segundo o guitarrista e webdesigner da Folha de S. Paulo Andrews Ferreira Guedis, ou simplesmente Andrews FG, “o rock foi enlatado como um produto jovem que não fala nada além de gastar e ir ao shopping. Virou uma coisa sem movimento, sem mensagem, apenas algo para ganhar dinheiro da molecada que gosta de ouvir um som. Bandas como CPM22 e o próprio movimento hard core mudaram bastante. Todos conhecem estas bandas e elas ganharam um caráter mais comercial quando foram para a mídia. Se você investigar quem lidera o estilo hoje, verá que são produtores que comandam também outras vertentes da música, como Kelly Key e etc. São apenas produtos.”

Idealizador e integrante do grupo independente Refink, Andrews diz que “a educação no país é tão complicada que o próprio termo música universitária é a resposta disso: é só uma tentativa de criar alguma coisa. O sertanejo que eu conheço é o de raiz, composto em Goiás com violão e não o Zezé di Camargo cantando É o amor. Já existia um mercado muito comercial na música e sempre foi muito descarado. O Pop brasileiro está aí para provar isso. O rock está do mesmo jeito, temos bandas aparecendo no Faustão e participando de quadros para falar sobre a família e a proposta do rock não era essa. Em outros países decaiu um pouco também, mas não tanto quanto no Brasil.”

As diferenças no rock em especial se mostram não apenas no comportamento dos grupos e do mercado, mas também nas letras, “as bandas atualmente não falam de problemas, mas sim de uma coisa lúdica do tipo, ‘tá tudo lindo’ e ‘deixa a vida me levar’; e as coisas não são bem assim. O Refink tenta mostrar a realidade de uma forma agressiva, mas é um grito nosso. As pessoas falam que nas letras há coisas com as quais elas se identificam”, defende Andrews.

Embora a mudança comportamental e musical dos novos grupos de rock seja visível se comparada aos anos 70 e 80, Andrews também atribui as dificuldades ao próprio cenário independente: “as casas de show só chamam bandas que lotam, não sei se é só no Brasil porque eu não conheço o espaço lá fora. Já aconteceu de cortarem o nosso som no meio por uma cota de cinco ingressos que não foram vendidos. Mas o espaço mesmo no cenário independente é muito difícil e o status comercial também. Hoje se ganha dinheiro com shows, mas para você conseguir tocar em algum lugar precisa ser conhecido, caso contrário tem que pagar ou vender ingressos. Se não vender, é tratado como amador.”

Uma das alternativas para um maior poder de escolha na hora de consumir música é a internet, “hoje todo mundo pode gravar suas músicas em casa e colocar na internet para as pessoas baixarem”, afirma Andrews. A questão colaborativa do mundo virtual ganha espaço e aos poucos cria um novo conceito de sociedade e diferentes formas de consumir música. O projeto Rain Down, liderado por Andrews – DVD show do grupo inglês Radiohead em sua passagem pelo Brasil, construído a partir de imagens amadoras registradas pelos fãs através do celular é prova disso, com centenas de trechos de vídeo enviados de diversos países e cerca de 24 mil visualizações no You Tube. “Quando eu iniciei o projeto eu fiz um site e divulguei em redes sociais, depois não precisei fazer mais nada, apenas recebia o material que as pessoas enviavam”, declarou Andrews.

Embora tenha balançado o cenário musical e a imprensa especializada, o Rain Down não é um divisor de águas. Segundo o próprio Andrews, a banda Nine Inch Nails já havia feito algo semelhante: “O vocalista da banda filmou quatro shows e disponibilizou para os fãs fazerem o DVD. Ele saiu da gravadora e não podia lançar o material porque algumas músicas faziam parte do contrato. Ele liberou as filmagens para os fãs editarem e eu participei da elaboração das legendas. Pessoas de diversos países colaboraram, mas o trabalho levou um ano para ficar pronto.”

andrewsfgO Nine Inch Nails não foi a única banda a levar a sério a proposta colaborativa de divulgação na internet. O próprio Radiohead “disponibilizou o CD para baixar e deixou os fãs decidirem quanto deveriam pagar”, explica Andrews. Na MPB, o cantor e compositor Gilberto Gil, possibilitou em seu site que os fãs produzirem vídeos de forma que todos tivessem acesso e  disponibilizou o CD gratuitamente para download. “É um cara que lidera este movimento da internet na MPB, que é um estilo que está sobrevivendo. Ele tem umas ideias muito loucas relacionadas à internet, que eu mesmo queria ter”, diz Andrews.

No quesito divulgação, as redes sociais surgem como bons artifícios para os grupos independentes: “Teve a fase do Orkut quando toda banda tinha um perfil, mas hoje não se usa mais para isso. O Myspace ainda é forte para as bandas porque possibilita colocar músicas sem precisar baixar ou procurar. O Facebook é bastante utilizado porque é forte e é no mundo inteiro, mas o Twitter é a grande bola da vez: é o curto e grosso da internet onde você consegue se atualizar em minutos. Nós também temos um canal de TV, que nada mais é do que os bastidores da banda, gravados com câmera de celular, mas bem editados”, afirma Andrews.

Em termos de produção musical, a internet também propõe diversas saídas: “A diferença de uma banda de gravadora para uma independente é simplesmente o som que ela toca. Tem grupos independentes com material gravado equivalentes às de estúdio. A diferença é que bandas como NX Zero e Fresno tem produção e vínculo comercial maior. Quem é independente e tem público e espaço, dificilmente vai para a gravadora. Como a Gloria que se sustenta no independente, mas é profissional e tem suporte, não é tão pequena assim. É claro que grupos de gravadora são mais equipados com infraestrutura, mas possuem um vínculo comercial completamente amarrado e as bandas se tornam meras funcionárias de quem contrata”, sinaliza Andrews.

Enquanto a rede propicia uma produção mais diferenciada, o espaço nas grandes mídias ainda se restringe: “Tem banda que nunca fez uma música e está fazendo sucesso porque apareceu na novela. Não há espaço para compositores, só se criarem um movimento, como aconteceu com a Legião Urbana e outras bandas que vieram de Brasília, que conseguiram espaço depois que as produtoras viram que deu certo. Mas hoje não existe isso, as bandas que tocam por aí passam batido”, conclui Andrews.

Embora a democracia da internet permita uma maior liberdade tanto de quem produz, quanto de quem ouve música, Andrews alerta: “sem internet banda independente não existe. O problema é que hoje você tem milhões de bandas, sendo muitas amadoras e fica difícil saber quem tem talento. A internet criou muito espaço e a qualidade foi afetada. Mas o meio independente sempre foi assim, as bandas existiam e ninguém sabia delas, agora as pessoas conhecem mais, todo mundo pode criar um site e divulgar seu trabalho.”

Além da disputa de mercados assinalada pelas grandes gravadoras, contrapondo com o aspecto libertário da internet, Andrews defende também que a produção e principalmente o consumo de música está relacionado à questão educacional: “O brasileiro não costuma discutir muito sobre o que ele gosta, ou se é bom ou ruim, ele é muito modista. Se alguma coisa está sendo ouvida por todo mundo ele vai ouvir e cantar também. Não vai refletir sobre aquilo, são poucos que fazem isso. Se você prestar atenção em algumas músicas que tocam por aí, dá até medo!” – exclama.

Questionado sobre as novas formas de produção e de distribuição musical, Andrews declara que o primeiro álbum do Refink, com previsão de lançamento para este ano, pretende trazer inovações: “Com certeza nós não faremos só um CD tradicional para entregar em porta de ‘barzinho’. Nós já temos bastante material produzido, mas tivemos problemas com o baterista e agora estamos gravando com bateria eletrônica e procurando um substituto. É difícil, pois o tempo que nos sobra é curto e não trabalhamos integralmente com a banda. A ideia é distribuir pela internet, mas misturar com elementos de vídeo para cada música, não como um clipe, mas como algo para acompanhar a trilha sonora do CD, um conceito novo. Mas vamos vender também em formato físico para não morrer de fome.”
Link original: http://www.slrevistaeletronica.com.br/giro/o-rock-nacional-perdeu-a-identidade.html


mar 26 2010

[Matéria/ Entrevista] Café de Outubro: Rain Down

Category: entrevistas,matéria,projeto rain downAndrews F.G @ 13:37

Abaixo uma excelente matéria do Danilo Vasques, um grande jornalista especializado em jornalismo cultural, dono do blog Café de Outubro, que pode ser visitado aqui: http://arteejornalismo.blogspot.com/

O André de seu nome é diferente, com WS no final, como faz questão de crivar em seu site oficial (andrecomws.com). Andrews Ferreira Guedis gosta de música e computadores. Toca guitarra numa banda de rock e é webmaster de profissão: atualmente colabora com a versão on-line de um grande jornal de São Paulo. Morador de Itaquera, um dos bairros mais antigos da capital, tinha uns seis anos quando uma banda inglesa chamada Radiohead (algo como “cabeça de rádio”) lançou seu primeiro disco e passou a figurar em dials mundo afora com uma canção denominada “Creep”.


Há pouco mais de um ano, o grupo fez seu primeiro show no Brasil. Pouco demorou para as cenas caírem na internet. E um certo vídeo com trechos da apresentação em São Paulo (Chácara do Jockey, 22/3/2009) se destacou, sobretudo, por conta de sua edição: registros de “Paranoid Android” realizados por câmeras independentes estavam reunidos em um só arquivo. Era o embrião do Projeto Rain Down, encabeçado por Andrews.

O Projeto virou notícia, apareceu na TV e em jornais, contudo, não se limitou à euforia dos primeiros dias pós-shows. Ao contrário, ocupou meses e está próximo do fim, segundo seu idealizador. Rain Down consiste na organização, faixa a faixa, de um DVD completo com as apresentações da banda no Brasil. O show paulista já está disponível desde o ano passado para downloads e também para ser assistido via web. No blog oficial (radioheadraindown.blogspot.com) há links para tal.

apresentação do Radiohead em São Paulo


Trata-se de um processo colaborativo e sem fins lucrativos (pode-se adquirir o show gratuitamente). Cada música conta com gravações realizadas por diversas pessoas que enviaram seus vídeos diretamente para Andrews ou os disponibilizaram pela internet. Ressalta-se que o trabalho de sincronia é exemplar.

Para o espectador, a sensação é de acompanhar o show em meio ao público com as limitações típicas de um registro cujo foco é o alternativo, de fã pra fã ̶ são câmeras pessoais e celulares que inevitavelmente possuem qualidades aquém de uma profissional, além de ser comum cenas levemente trêmulas, contudo, nada que comprometa o conteúdo. Fato: todo o trabalho é feito com respeitável zelo. Ademais, e sumariamente importante, os créditos estão no blog para quem quiser acessar. Até o encarte para o DVD pode ser baixado e impresso por qualquer visitante. Generoso, o disco do show de São Paulo traz ainda extras com algumas músicas tocadas no Rio.

Atualmente, a empreitada consiste na finalização do DVD com a apresentação carioca. Está quase no fim, como Andrews conta, entre outras coisas, a seguir:

Como está o Projeto Rain Down um ano após o show do Radiohead em São Paulo?

O Projeto Rain Down continua a todo vapor, com a mesma proposta de antes, só que desta vez com o show do Rio de Janeiro, para fechar perfeitamente a apresentação do Radiohead no Brasil. Um DVD do Rio será lançado em breve, com o show na íntegra.

As intenções do projeto antecederam o show ou só surgiram após a apresentação?

Nada foi planejado antes do show. A ideia só existiu quando eu mixei alguns vídeos de “Paranoid Android” achados em comunidades do Orkut e coloquei um vídeo no YouTube. A repercussão e os comentários fizeram com que eu continuasse a editar o show todo.

Há um número oficial de quantas pessoas já baixaram o DVD?

É muito difícil estimar esse número, porque o vídeo foi disponibilizado em diversos formatos, inclusive transmissão completa via YouTube, que passa os 21 mil views neste momento.

É possível mensurar o que mudou em sua vida após o sucesso do Projeto Rain Down?

Mudou sim, mas eu continuo fazendo as mesmas coisas que fazia antes e que, na época, poucas pessoas davam bola. Talvez isso tenha mudado: hoje as mesmas pessoas perguntam da minha banda, dos meus projetos e incentivam ambos. Também cresci profissionalmente, tive alguns contatos interessantes com a mídia e estou aprendendo muita coisa. Fora isso, moro no mesmo lugar e continuo sendo o que sou.

detalhe da capa do DVD com o show de São Paulo


Qual a sensação ao ver o DVD pronto, com encarte e tudo?

A coisa mais doida foi ver pessoas fazendo isso, porque quando eu montei para mim, não tinha uma boa impressora e ficou algo bem caseiro. Mas quando vi pessoas me enviando fotos com o DVD, juro que me senti recompensado e emocionado. Não dá pra descrever a emoção, mas é muito legal ver o carinho que as pessoas tiveram com o projeto.

Em sua visão, seria possível o Projeto Rain Down sem ferramentas de compartilhamento como o Youtube?

Praticamente impossível. Tudo começou no YouTube, foi ele a porta de entrada para o primeiro vídeo e para várias outras colaborações dos fãs. Metade dos vídeos utilizados provém dele, ficaria difícil fazer a edição do show sem ele, já que muitos fãs têm dificuldades para enviar seus vídeos ou não têm tempo para isso.

Quantos colaboraram enviando vídeos para o DVD?

Existiram colaboradores mais ativos, que foram em torno de 20 pessoas, e centenas de pessoas mandando vídeos no YouTube ou indicando vídeos espalhados pela internet. Recebi alguns por cartas e e-mail também. Recebi recentemente colaboração internacional vinda do Peru e da Colômbia, para a edição do show do Rio.

O Radiohead, banda pioneira e entusiasta das trocas on-line, se manifestou sobre o Projeto Rain Down? Vocês tiveram contato a respeito?

Não tive nenhuma resposta vinda de alguém do Radiohead, mas acredito que [o Rain Down] deve ter chegado a eles por causa da repercussão, pela divulgação dos fãs na internet e nos canais de comunicação da própria banda. Se um dia o Radiohead pisar novamente por aqui, seria interessante algum jornalista perguntar se eles conhecem ou não o projeto brasileiro.

Chácara do Jockey (SP), 22 de março de 2009



No blog oficial, você comenta que possivelmente o Projeto Rain Down se encerrará após a finalização do DVD com o show do Rio de Janeiro. É isso mesmo?

Sim, após finalizado e lançado o DVD do Rio, estará pronto e assim registrada a histórica apresentação do Radiohead no Brasil em 2009. Creio que não há mais nada que eu possa fazer relacionado ao projeto. O blog e os downloads continuarão lá, para as pessoas baixarem ou lembrarem do show.

E como anda o Refink? Quais os planos? O Projeto Rain Down impulsionou a carreira?

O Refink vai bem, estamos concentrados em gravar nosso primeiro CD independente, sem apoio financeiro ou patrocínio, e queremos lançá-lo de forma livre pela internet e possivelmente unir vídeos a essas músicas. A ideia é gravar as músicas demos agora e depois entrar em estúdio, fazer todo o CD com a melhor qualidade possível. O projeto Rain Down ajudou bastante a banda virtualmente, mas, fisicamente ainda encontramos muita dificuldade no cenário independente, que não abre as portas para bandas honestas como o Refink, principalmente para questão de shows, então, teremos a dura missão de criar uma brecha nesse cenário, livre de modismo, panelinhas e da exploração. Esperamos conseguir e se não conseguirmos, continuaremos a tocar o nosso som da mesma forma.

***



Imagens do show: Daniela Vasques
Capa: Divulgação
Texto por: Danilo Vasques

Fonte: http://arteejornalismo.blogspot.com/2010/03/rain-down.html



nov 12 2009

[Vazamento] Entrevista a Carta Capital que não saiu!

Category: carta capital,entrevistas,projeto rain downAndrews F.G @ 0:45
A entrevista abaixo foi concedida a revista Carta Capital em outubro, mas por algum motivo desconhecido, não foi publicada. Acredito que é válido deixar o registro aqui, pelas perguntas feitas e a dedicação que tive ao respondê-las.


Você é paulistano? Qual é seu nome completo? Quantos anos tem?
Sim, paulistano. Meu nome é Andrews Ferreira Guedis e tenho 22 anos.

Você trabalha como editor de vídeo?
Não, sou webdesigner, mas sempre me envolvi com vídeos desde pequeno. Lembro que gravava tudo que passava na TV em fitas VHS e ficava lá pirando com minhas edições, cortando comerciais, etc.

Faz faculdade? É formado? Trabalha no que?
Sou formado na minha área. Fiz um curso superior tecnólogo de Web Design/Sistemas Virtuais. Trabalho como webmaster de um grande jornal on-line.

Como surgiu a idéia de fazer o vídeo?
Foi espontâneo, eu apenas queria montar uma simples música e acabei montando todo show. Quando surgiu os primeiros vídeo no YouTube, apenas mixei todos em um só e o resultado foi tão bom que muita gente me incentivou a fazer o restante. Depois isso se tornou um projeto, um DVD e consequentemente uma ideia nova.

Qual é a faixa do dvd predileta?
Eu gosto muito de Weird Fishes (Arpeggi), mas fico em dúvida, fiz um trabalho muito peculiar em Idioteque. Eu queria acompanhar o ritmo da música, mechendo em todos os ângulos, ficou muito legal.

Quantos vídeos foram usados?
Não sei estimar, para cada música foi cerca de 10, 15, alguns até mais, outros até menos.

Qual era, em média, o tempo de gravação dos vídeos?
A edição durava cerca de 5 horas para ser finalizada, mas isso dependia muito. Antes disso sempre perdia um bom tempo convertendo e pesquisando o material.

Pensou em vender o DVD?
Desde o começo deixei claro que a minha intenção era apenas por para download gratuito e disponibilizar no YouTube. Vender comercialmente, nunca. Eu apenas enviei por correio algumas cópias do DVD, para pessoas que vieram atrás de mim afirmando que não conseguiram baixar ou gravar. Essa dificuldade é comum e eu cobrei o preço da mídia, mais capa, mais frete. O que era justo, na minha opinião.

O pessoal do Radiohead já viu as gravações?
Acredito que alguém próximo ao Radiohead ou até eles mesmos devem ter conhecimento do projeto. Não acredito que eles venham a dar uma resposta ou se pronunciar sobre o assunto. Mas fica a curiosidade. Se um dia algum jornalista daqui os entrevistar, seria legal fazer essa pergunta e demonstrar o projeto que os fãs brasileiros fizeram. Fica aí minha sugestão.

Sabe quantos downloads foram feitos até agora?
Minha última contagem estimava cerca de 600 pessoas que fizeram o download, mas perdi a conta. No Youtube, um vídeo na íntegra que foi disponibilizado, já passa dos 4 mil views. Neste exato momento 400 pessoas estão baixando ou semeando o download de várias fontes.

Sobre o andamento dos vídeos do Rio:

Recebendo material de colaboradores do show de São Paulo, como Danilo Porto. que mandou vídeos para Videotape na primeira edição. A outra novidade é que aparentemente teremos uma colaboração internacional de vídeos do show do Rio. Recebi um contato do site Radiohead Perú, oferecendo grande material filmado por fãs da Colômbia e Itália, que estiveram aqui para o show. Enquanto isso, vou capturando material pelo YouTube, como realizado anteriormente.