mar 23 2016

Tenho Mais Discos Que Amigos: Faixa Título: o Radiohead entre nós, os downloads, e os tubos de acrílico

Category: atualização,matériaAndrews F.G @ 15:59

Matéria originalmente publicada em: http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2016/03/22/faixa-titulo-o-radiohead-entre-nos-os-downloads-e-os-tubos-de-acrilico/

Em 22 de março de 2009, há exatos sete anos, o Radiohead trazia a inesquecível turnê In Rainbows ao Brasil

Por Guilherme Guedes -22/03/2016

Em 22 de março de 2009, há exatos sete anos, o Radiohead fazia o segundo e até agora último show da banda no Brasil. Depois de uma elogiada data na Praça da Apoteose, no Rio, dia 20, o grupo mais influente dos últimos vinte anos – com obra reverberante do metal progressivo à IDM, passando pelo rock alternativo e pelo jazz – enfim chegava a São Paulo.

Parte do line-up do extinto festival Just a Fest, o quinteto veio acompanhado pelo Kraftwerk(“heresia o Kraftwerk ser banda de abertura!”, exclamavam alguns, ainda no falecido Orkut) e pelo Los Hermanos, que fazia a primeira de uma série de reuniões pós-término que rendem novos encontros até hoje, mesmo sem disco novo no horizonte.

Na cola de In Rainbows (2007), aquela turnê não podia ser mais impactante. In Rainbows não apenas reassegurou a posição do Radiohead na linha de frente da vanguarda artística no novo século; In Rainbows questionou o modus operandi do mainstream ao ser lançado em mp3 no esquema pague-o-quanto-queira-mesmo-que-seja-zero, em um blog especial lançado pela banda, com anúncio prévio de apenas alguns dias. Em tempos onde as maiores estrelas do pop soltam álbuns inteiros sem aviso, isso pode parecer corriqueiro. Não é. Não foi.

Aos 12 anos, baixei meu primeiro mp3 no Napster: uma cópia tosca de “Welcome to the Jungle”, do Guns n’ Roses, na versão lançada no Live Era: ’87 – ’93 (1999). Dali, encantado pelas possibilidades infinitas das trocas de arquivos digitais, virei um rato-mestre do download ilegal. Do Napster para o Audio Galaxy, KaZaA, eMule, Oink, Soulseek e infinitos canais domIRC – ativos até hoje, a propósito – discografias, raridades e arquivos falsos foram despejados nos meus HDs ao longo da adolescência. Gravava CD-Rs, a mixtape da minha geração, e exibia com orgulho iPods lotados de arquivos que nunca tive tempo para ouvir. E tudo isso sempre fora da lei, convivendo com o sentimento de culpa de roubar de artistas que admirava, até ver os preços de CDs importados, comparar com as minhas economias e chegar à conclusão, deturpada, que eu roubava por necessidade.

Quando baixei o arquivo .zip com as dez faixas de In Rainbows em mp3 de decepcionantes 160kbps (nerd alert!), foi diferente. Eu havia baixado álbuns lançados gratuitamente antes, mas nunca de uma banda do porte do Radiohead, com números suficientes para fechar contrato com qualquer gravadora. Minhas referências eram artistas que condenavam o download, que entenderam errado a obsessão dos fãs pelas obras deles. Mas ali, no meu desktop verde-escuro, o ícone colorido de In Rainbows abria novas possibilidades, um novo futuro, novas formas de comercializar e distribuir música.

Bastava isso para In Rainbows tornar-se um símbolo, definir uma era. Mas musicalmente o disco também é um primor. Após as sombras de Hail to the Thief (2003), o grupo não só fazia as pazes com Ok Computer (1997), como usava os experimentos de Kid A (2000) e Amnesiac(2001) para desenvolver uma nova linguagem, um disco simultaneamente aveludado e angustiante. Melancólico, claro, mas colorido como nunca, da capa às conversas entre as guitarras de Jonny Greenwood e Ed O’Brien, ao baixo sempre perfeitamente colocado de Colin Greenwood, das levadas pós-eletrônica de Philip Selway, dos falsetes Buckleyanos de Thom Yorke.

Naquele 22 de março, eu e milhares de outros pudemos presenciar a excelência do disco em primeira mão. As luzes, projetadas em tubos de acrílico suspensos sobre o palco, eram um show à parte, perfeitamente sincronizadas à identidade, à mensagem da banda. O show começou como o disco, com “15 Step”, e abriu uma sequência de maravilhas até hoje acachapantes: “There, There”, “The National Anthem” (com a transmissão da Rádio Band News FM invadindo o P.A. durante a intervenção radiofônica de Jonny), “Weird Fishes/Arpeggi”, “Talk Show Host”(obrigado!), “Idioteque”, “Climbing Up The Walls” (o Rio teve “No Surprises”), “Exit Music (For a Film)”, e tantas outras. O bis com “Paranoid Android”, “Lucky” e “Reckoner”. Outro bis, com “House Of Cards”. E um terceiro, derradeiro, com os tubos de acrílico a ponto de nos cegar no refrão estrondoso de “Creep”.

Lembro da volta da Chácara do Jockey ser uma pequena-porém-prolongada sessão de tortura, mas a leveza após presenciar uma das maiores bandas do mundo era esmagadoramente superior a qualquer sentimento negativo. Aquele show ainda reverbera em mim, do pôster azul que enfeita a minha cozinha às memórias que, ao contrário de outras, muitas outras, resistem ao passar eterno do tempo. Felizmente, a internet é muito mais capaz que meu humilde cérebro, e hoje, 22 de março de 2016, podemos reviver com plenitude aquele 22 de março de 2009.

Parte da performance foi transmitida ao vivo pelo Multishow, mas um projeto organizado por fãs, o Rain Down, conseguiu reunir a íntegra da apresentação com uma edição de dezenas de filmagens amadoras que conseguem reproduzir até melhor que câmeras profissionais o sentimento de estar ali, entre adoradores veteranos e novatos curiosos, frente à frente com uma das bandas mais imponentes da nossa história recente. Feliz aniversário, 22 de março, e que o Radiohead não demore a dar as caras por aqui de novo.

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out 31 2011

Direto de um TCC: “O Projeto Rain Down como um Fenômeno da Cibercultura”

Category: divulgação,entrevistas,matériaAndrews F.G @ 18:05

Realmente sempre me surpreendo ao buscar sobre o projeto Rain Down na web. Toda vez que procuro pelo termo no Google, encontro alguma coisa nova ou vários links que citam o projeto como inovador e pioneiro. É muito bom saber que quase após 3 anos do show do Radiohead no Brasil, nada foi tão marcante quanto aquela apresentação da banda e como os vídeos desse projeto o deixaram eternamente frescos na memória das pessoas que estiveram lá.

Mas um dos resultados me chamou muito atenção nesses dias, encontrei um trabalho de TCC para um curso de Comunicação Social – Jornalismo baseado em toda história de criação, produção e conceito do Projeto Rain Down. O trabalho foi realizado por Leonardo AraújoDannilo Duarte para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, de Vitória da Conquista, Bahia.

Localizei o documento no formato PDF e notando em seu texto, é citado que ele foi apresentado no XIII Congresso de Ciências da Comunicação, em Maceió/AL, em junho desse ano.

É emocionante saber que o Rain Down alcançou tanto prestigío, agradeço novamente pela dedicação e divulgação.

Alguns trechos interessantes do trabalho:

“Trata-se de uma espécie de “artesanato digital”, conforme o termo cunhado por Barbrook e Schultz (2007) em um manifesto divulgado na Web. São trabalhos que dialogam com os produtos da indústria cultural, ao mesmo tempo em que se revelam bastantes distintos da formalidade ou dos compromissos com uma produção anterior, na medida em que flertam com novas linguagens disseminadas em escala global. ”

“É preciso emitir em rede, entrar em conexão com outros, produzir sinergias, trocar pedaços de informação, circular, distribuir” (Lemos, 2009, p. 40).”

“Em Rain Down, pela primeira vez, nada foi combinado ou organizado anteriormente, nem passou pelo filtro “de qualidade” do artista. Não havia nenhum acordo das pessoas filmarem o show para um DVD. As imagens foram feitas de forma espontânea, capturando as diferentes percepções de quem estava na apresentação. A edição também foi totalmente realizada por um admirador da banda. ”

“Percebe-se que assim como o Rain Down surgiu de maneira não planejada, a produção feita pelas redes telemáticas é, muitas vezes, fruto de experimentação dos indivíduos que povoam o ciberespaço e que esse ciclo de mudanças continua em curso. Por ser uma experiência conduzida pela própria comunidade, é interessante acompanhar as mudanças e delineamentos da produção cultural nesses novos ambientes para que seja possível desfrutar de todas as suas potencialidades.

O documento pode ser baixado na íntegra por aqui (.pdf – 363 KB)

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jan 07 2011

[Matéria] Filme de show do Radiohead feito por fãs está no YouTube

Category: matériaAndrews F.G @ 19:43

Apresentação foi realizada para arrecadar dinheiro para as vítimas do terremoto que atingiu o Haiti

Matéria copiada de: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/filme+de+show+do+radiohead+feito+por+fas+esta+no+youtube/n1237930554718.html

Está disponível no YouTube um vídeo de cerca de duas horas que registra um show do Radiohead ocorrido em Los Angeles em janeiro de 2010.

O concerto tinha como missão arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas do terremoto que atingiu o Haiti – a banda inglesa juntou cerca de R$ 900 mil com a iniciativa.

Há pouco, a filmagem desse show apareceu na internet. Um filme feito por fãs foi mandado para a banda, que aprovou o vídeo. As imagens, então, foram colocadas no YouTube. O filme capta a performance de 24 canções.

No site do projeto, é possível baixar um arquivo com o vídeo do show.

As músicas tocadas na apresentação:

1 Faust Arp
2 Fake Plastic Trees
3 Weird Fishes/Arpeggi
4 National Anthem
5 Nude
6 Karma Police
7 Kid A
8 Morning Bell
9 How to Disappear Completely
10 Wolf at the Door
11 The Bends
12 Reckoner
13 Lucky
14 Body Snatchers
15 Dollars & Cents
16 Airbag
17 Exit Music (For a Film)
18 Everything In It’s Right Place
19 You and Whose Army?
20 Pyramid Song
21 All I Need
22 Lotus Flower
23 Paranoid Android
24 Street Spirit


nov 08 2010

[Matéria] Link – Estadão – Todos por todos

Category: crowdsourcing,divulgação,matériaAndrews F.G @ 12:47

Todos por todos

Por Ana Freitas

Imagina conseguir organizar gente do mundo todo para financiar o seu empreendimento. Centenas de pessoas doando pequenas quantias de dinheiro que, somadas, atingem o valor necessário para colocar sua ideia em prática. Dá pra fazer isso no Kickstarter.com, uma plataforma de crowfunding, uma modalidade de crowdsourcing.

No Kickstarter, os idealizadores do Diaspora, uma espécie de Facebook de código aberto, apresentaram seu projeto e definiram o objetivo: eles precisavam de US$ 10 mil em doações. As 6.479 pessoas que deram dinheiro para os estudantes da Universidade de Nova York foram bem além. Eles arrecadaram mais de US$ 200 mil.

O crowdsourcing – contração dos termos em inglês “crowd”, multidão; e “source”, fonte – está espalhado por toda internet. Todo site ou serviço online que depende da boa vontade ou da colaboração de muita gente ao mesmo tempo é uma iniciativa que emprega a força da multidão – e são exemplos de crowdsourcing a Wikipedia, o Yahoo! Respostas e os mapas colaborativos do Google.

Nacional. A novidade é que essa tendência está finalmente funcionando por aqui. O melhor exemplo até um ano atrás era a versão em português da Wikipedia, mas isso tem mudado nos últimos meses. Programadores, empresários e grupos independentes começaram a colocar em prática projetos que contam com a multidão conectada como força-motriz.

E, principalmente, porque estas multidões começaram a se engajar e produzir. Além da Wikipedia, surgem por aqui outros casos de sucesso em crowdsourcing. Como o da Fiat, que desenvolveu um carro em Creative Commons usando sugestões de mais de 17 mil pessoas, ou o Queremos Belle & Sebastian no Rio, projeto independente de fãs da banda escocesa que se uniram para financiar, sozinhos, a vinda do grupo para shows no Brasil.

Inspirados em iniciativas que deram certo, startups brasileiras na área estão começando a dar as caras. Conheça algumas delas.


Link para a matéria completa: http://blogs.estadao.com.br/link/todos-por-todos/

Agradecimentos a Ana Freitas pela divulgação do projeto e pela excelente matéria dessa segunda-feira no caderno Link.


out 14 2010

[Matéria] Hiatocriativo.com – Radiohead – Rain Down

Category: divulgação,matériaAndrews F.G @ 12:15

Pra quem não viu, Rain Down é o projeto colaborativo responsável pela gravação do show do Radiohead no Brasil. Áudio original com edição de imagem de diversas câmeras e celulares do público. Foi uma das melhores ideias de distribuição de conteúdo on-line que vi ano passado.
Perdi o show, mas o Rain Down está aqui, ó:

Será que rolará algo parecido com o show do Paul McCartney?

Link original: http://blog.nilothiago.com/post/1306012207/radiohead-rain-down


set 21 2010

[Entrevista] Andrews F.G – Revista Eletrônica Souza Lima

Category: divulgação,entrevistas,matériaAndrews F.G @ 21:51

O rock nacional perdeu a identidade

Para Andrews FG, idealizador do projeto Rain Down e guitarrista da banda independente Refink, as grandes gravadoras apostam apenas na questão comercial

Por: Paula Witchert

O cenário do rock brasileiro já não é o mesmo. Longe de letras com conteúdo político e contestações ideológicas que normalmente marcam a juventude, o estilo traz no século 21 uma nova roupagem, mais preocupada com a questão visual. Segundo o guitarrista e webdesigner da Folha de S. Paulo Andrews Ferreira Guedis, ou simplesmente Andrews FG, “o rock foi enlatado como um produto jovem que não fala nada além de gastar e ir ao shopping. Virou uma coisa sem movimento, sem mensagem, apenas algo para ganhar dinheiro da molecada que gosta de ouvir um som. Bandas como CPM22 e o próprio movimento hard core mudaram bastante. Todos conhecem estas bandas e elas ganharam um caráter mais comercial quando foram para a mídia. Se você investigar quem lidera o estilo hoje, verá que são produtores que comandam também outras vertentes da música, como Kelly Key e etc. São apenas produtos.”

Idealizador e integrante do grupo independente Refink, Andrews diz que “a educação no país é tão complicada que o próprio termo música universitária é a resposta disso: é só uma tentativa de criar alguma coisa. O sertanejo que eu conheço é o de raiz, composto em Goiás com violão e não o Zezé di Camargo cantando É o amor. Já existia um mercado muito comercial na música e sempre foi muito descarado. O Pop brasileiro está aí para provar isso. O rock está do mesmo jeito, temos bandas aparecendo no Faustão e participando de quadros para falar sobre a família e a proposta do rock não era essa. Em outros países decaiu um pouco também, mas não tanto quanto no Brasil.”

As diferenças no rock em especial se mostram não apenas no comportamento dos grupos e do mercado, mas também nas letras, “as bandas atualmente não falam de problemas, mas sim de uma coisa lúdica do tipo, ‘tá tudo lindo’ e ‘deixa a vida me levar’; e as coisas não são bem assim. O Refink tenta mostrar a realidade de uma forma agressiva, mas é um grito nosso. As pessoas falam que nas letras há coisas com as quais elas se identificam”, defende Andrews.

Embora a mudança comportamental e musical dos novos grupos de rock seja visível se comparada aos anos 70 e 80, Andrews também atribui as dificuldades ao próprio cenário independente: “as casas de show só chamam bandas que lotam, não sei se é só no Brasil porque eu não conheço o espaço lá fora. Já aconteceu de cortarem o nosso som no meio por uma cota de cinco ingressos que não foram vendidos. Mas o espaço mesmo no cenário independente é muito difícil e o status comercial também. Hoje se ganha dinheiro com shows, mas para você conseguir tocar em algum lugar precisa ser conhecido, caso contrário tem que pagar ou vender ingressos. Se não vender, é tratado como amador.”

Uma das alternativas para um maior poder de escolha na hora de consumir música é a internet, “hoje todo mundo pode gravar suas músicas em casa e colocar na internet para as pessoas baixarem”, afirma Andrews. A questão colaborativa do mundo virtual ganha espaço e aos poucos cria um novo conceito de sociedade e diferentes formas de consumir música. O projeto Rain Down, liderado por Andrews – DVD show do grupo inglês Radiohead em sua passagem pelo Brasil, construído a partir de imagens amadoras registradas pelos fãs através do celular é prova disso, com centenas de trechos de vídeo enviados de diversos países e cerca de 24 mil visualizações no You Tube. “Quando eu iniciei o projeto eu fiz um site e divulguei em redes sociais, depois não precisei fazer mais nada, apenas recebia o material que as pessoas enviavam”, declarou Andrews.

Embora tenha balançado o cenário musical e a imprensa especializada, o Rain Down não é um divisor de águas. Segundo o próprio Andrews, a banda Nine Inch Nails já havia feito algo semelhante: “O vocalista da banda filmou quatro shows e disponibilizou para os fãs fazerem o DVD. Ele saiu da gravadora e não podia lançar o material porque algumas músicas faziam parte do contrato. Ele liberou as filmagens para os fãs editarem e eu participei da elaboração das legendas. Pessoas de diversos países colaboraram, mas o trabalho levou um ano para ficar pronto.”

andrewsfgO Nine Inch Nails não foi a única banda a levar a sério a proposta colaborativa de divulgação na internet. O próprio Radiohead “disponibilizou o CD para baixar e deixou os fãs decidirem quanto deveriam pagar”, explica Andrews. Na MPB, o cantor e compositor Gilberto Gil, possibilitou em seu site que os fãs produzirem vídeos de forma que todos tivessem acesso e  disponibilizou o CD gratuitamente para download. “É um cara que lidera este movimento da internet na MPB, que é um estilo que está sobrevivendo. Ele tem umas ideias muito loucas relacionadas à internet, que eu mesmo queria ter”, diz Andrews.

No quesito divulgação, as redes sociais surgem como bons artifícios para os grupos independentes: “Teve a fase do Orkut quando toda banda tinha um perfil, mas hoje não se usa mais para isso. O Myspace ainda é forte para as bandas porque possibilita colocar músicas sem precisar baixar ou procurar. O Facebook é bastante utilizado porque é forte e é no mundo inteiro, mas o Twitter é a grande bola da vez: é o curto e grosso da internet onde você consegue se atualizar em minutos. Nós também temos um canal de TV, que nada mais é do que os bastidores da banda, gravados com câmera de celular, mas bem editados”, afirma Andrews.

Em termos de produção musical, a internet também propõe diversas saídas: “A diferença de uma banda de gravadora para uma independente é simplesmente o som que ela toca. Tem grupos independentes com material gravado equivalentes às de estúdio. A diferença é que bandas como NX Zero e Fresno tem produção e vínculo comercial maior. Quem é independente e tem público e espaço, dificilmente vai para a gravadora. Como a Gloria que se sustenta no independente, mas é profissional e tem suporte, não é tão pequena assim. É claro que grupos de gravadora são mais equipados com infraestrutura, mas possuem um vínculo comercial completamente amarrado e as bandas se tornam meras funcionárias de quem contrata”, sinaliza Andrews.

Enquanto a rede propicia uma produção mais diferenciada, o espaço nas grandes mídias ainda se restringe: “Tem banda que nunca fez uma música e está fazendo sucesso porque apareceu na novela. Não há espaço para compositores, só se criarem um movimento, como aconteceu com a Legião Urbana e outras bandas que vieram de Brasília, que conseguiram espaço depois que as produtoras viram que deu certo. Mas hoje não existe isso, as bandas que tocam por aí passam batido”, conclui Andrews.

Embora a democracia da internet permita uma maior liberdade tanto de quem produz, quanto de quem ouve música, Andrews alerta: “sem internet banda independente não existe. O problema é que hoje você tem milhões de bandas, sendo muitas amadoras e fica difícil saber quem tem talento. A internet criou muito espaço e a qualidade foi afetada. Mas o meio independente sempre foi assim, as bandas existiam e ninguém sabia delas, agora as pessoas conhecem mais, todo mundo pode criar um site e divulgar seu trabalho.”

Além da disputa de mercados assinalada pelas grandes gravadoras, contrapondo com o aspecto libertário da internet, Andrews defende também que a produção e principalmente o consumo de música está relacionado à questão educacional: “O brasileiro não costuma discutir muito sobre o que ele gosta, ou se é bom ou ruim, ele é muito modista. Se alguma coisa está sendo ouvida por todo mundo ele vai ouvir e cantar também. Não vai refletir sobre aquilo, são poucos que fazem isso. Se você prestar atenção em algumas músicas que tocam por aí, dá até medo!” – exclama.

Questionado sobre as novas formas de produção e de distribuição musical, Andrews declara que o primeiro álbum do Refink, com previsão de lançamento para este ano, pretende trazer inovações: “Com certeza nós não faremos só um CD tradicional para entregar em porta de ‘barzinho’. Nós já temos bastante material produzido, mas tivemos problemas com o baterista e agora estamos gravando com bateria eletrônica e procurando um substituto. É difícil, pois o tempo que nos sobra é curto e não trabalhamos integralmente com a banda. A ideia é distribuir pela internet, mas misturar com elementos de vídeo para cada música, não como um clipe, mas como algo para acompanhar a trilha sonora do CD, um conceito novo. Mas vamos vender também em formato físico para não morrer de fome.”
Link original: http://www.slrevistaeletronica.com.br/giro/o-rock-nacional-perdeu-a-identidade.html


set 08 2010

[Vídeo] TV Cultura – Metrópolis

Category: divulgação,matériaAndrews F.G @ 15:13

Programa – 07/09/10 – Radiohead

Banda disponibiliza download gratuito do DVD do show realizado em Praga, em 2009

Projeto Rain Down é citado na matéria do programa.

Link original: http://www.tvcultura.com.br/metropolis/programas/51117


set 07 2010

[Matéria] Folha – Radiohead permite download grátis de show filmado pelos fãs

Category: divulgação,dvd feitos por fãs,matériaAndrews F.G @ 1:28

Mais de 60 pessoas filmaram com suas próprias câmeras o show que o Radiohead fez em Praga em 2009 para editar um vídeo de download gratuito, algo que seduziu a banda britânica a ponto de não somente apoiar a iniciativa como também ceder o som do espetáculo.

Webdesigner monta vídeo colaborativo do show do Radiohead em São Paulo

Os fãs gravaram o show –do qual será lançado um novo álbum antes do fim de 2010– realizado na capital da República Tcheca em 23 de agosto de 2009.

Além de ceder o som e permitir a gravação do espetáculo, os músicos britânicos também apoiaram a iniciativa divulgando o link para o download do show em seu site oficial.

Tal como se explica no link para o download, o objetivo do vídeo era filmar a banda ao vivo usando o máximo possível de ângulos. Mais de 60 fãs contribuíram com o trabalho fornecendo os vídeos do show em Praga.

“Pelos fãs e para os fãs”, resume o site. No entanto, é proibido usar o vídeo do show para fins comerciais, pois o objetivo é “compartilhar e curtir”.

Os internautas poderão baixá-lo em diferentes formatos ou assisti-lo em streaming pelo YouTube.

O site deste projeto agradece ao Radiohead por aceitá-lo e permiti-lo, um gesto que “demonstra o quão perto (a banda) está de seus fãs e o quão ótima ela é”.

J. Scott Applewhite/AP
Os integrantes da banda Radiohead

Link original: http://www.folha.com.br/il794876


set 06 2010

[Matéria] Radiohead libera DVD ao vivo de graça

Category: divulgação,dvd feitos por fãs,matériaAndrews F.G @ 16:32

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O aviso na capa da página especial “Radiohead Live in Praha” é direto: venda estritamente proibida. O Radiohead usa novamente a internet para entrar em contato com seu público, desta vez para liberar a distribuição gratuita de um DVD – feito por fãs, para fãs – de mais de duas horas de duração que registra a apresentação da banda em Praga, na República Tcheca, em agosto de 2009.

Cinqüenta pessoas se juntaram para registrar o show com câmeras portáteis e o resultado foi editado por profissionais com áudio oficial liberado pelo próprio Radiohead. Você pode baixar em alta qualidade gratuitamente gratuito nos formatos DVD, AVI, MOV (para iPad e Apple TV), MP4 (para iPhone e iPod) e Quicktime. Assista ao trailer aqui e baixe o DVD completo aqui.

Este projeto de fãs da República Tcheca tem o mesmo mote de um projeto brasileiro, o Rain Down, que registra a passagem antológica do Radiohead pelo Brasil. Conforme explica o site, ”a edição é toda feita com vídeos amadores gravados por pessoas que estavam lá ou publicaram conteúdo em sites como Youtube”. O conteúdo ainda está disponível e você pode baixar gratuitamente aqui.

Setlist do show em Praga:

01. 15 Step
02. There There
03. Weird Fishes/Arpeggi
04. All I Need
05. Lucky
06. Nude
07. Morning Bell
08. 2+2=5
09. A Wolf At The Door
10. Videotape
11. (Nice Dream)
12. The Gloaming
13. Reckoner
14. Exit Music (For A Film)
15. Bangers and Mash
16. Bodysnatchers
17. Idioteque
18. Pyramid Song
19. These Are My Twisted Words
20. Airbag
21. The National Anthem
22. How To Disappear Completely
23. The Bends
24. True Love Waits
25. Everything In Its Right Place

Link original: http://screamyell.com.br/blog/2010/09/06/radiohead-libera-dvd-ao-vivo-de-graca/

Escrito por: Marcelo Costa


set 05 2010

[Matéria] O alucinógeno Radiohead a partir do público

Category: divulgação,dvd,dvd feitos por fãs,matériaAndrews F.G @ 17:15

O alucinógeno Radiohead a partir do público

Pouca gente na história da música pode se gabar de ter causado uma revolução na indústria fonográfica. Em 2007, quando liberou o “In Rainbows” para download na internet, o Radiohead entrou para esse grupo. E é por isso que não causa espanto eles terem apoiado um projeto de fãs para criar um DVD de uma apresentação da banda em Praga, no ano passado. As imagens de “Live in Praha” foram captadas por 50 pessoas espalhadas em diversos lugares do público e depois sincronizadas com o áudio da mesa de som, cedido pela banda. O material está disponível para download (em diversos formatos e tamanhos diferentes) e também no YouTube. Tudo de graça e autorizado pela turma do Thom Yorke. O resultado é fabuloso. Pelo trailer aí embaixo já dá para se ter uma ideia do clima (“quase” tão alucinógeno quanto aqueles desenhos animados japoneses que provocam convulsões em crianças).

Apesar de ser “reconhecida” pela banda e ganhar em qualidade e edição, a ideia dos tchecos não é original. Há outros projetos do tipo realizados por fãs do Radiohead pelo mundo afora, inclusive no Brasil (onde a iniciativa ganhou o nome de “Rain Down”). No ano passado, o paulistano Andrews Guedis recriou os shows da banda em São Paulo e no Rio de Janeiro da mesma forma: sincronizando o áudio da mesa de som com vídeos feitos por fãs. A diferença é que no projeto brasileiro as imagens, gravadas por celulares e câmeras amadoras, foram retiradas do YouTube. No site do “Rain Down”, Andrews conta que já entrou em contato com os responsáveis pela iniciativa tcheca para pedir uma ajuda na divulgação do pioneiro brasileiro. E para aqueles que não fazem questão das imagens lisérgicas de “Live in Praha”, opaulistano mandou ver na diplomacia e disponibilizou em sua página o áudio do DVD gringo para ser baixado em MP3.

Link original da matéria: http://tortamagica.blogspot.com/2010/09/o-alucinogeno-radiohead-partir-do.html

Por: Alexandre Malvestio


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